Decisão judicial impõe restrições ao senador

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou medidas cautelares rigorosas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão, proferida no âmbito de uma investigação que apura supostos crimes de lavagem de dinheiro, inclui a proibição de o parlamentar deixar o território nacional e a obrigatoriedade de entrega de seus passaportes, tanto o comum quanto o diplomático, no prazo de 24 horas.

Além da restrição de viagem, o magistrado estabeleceu o cancelamento imediato dos documentos de viagem do senador e impôs uma proibição de comunicação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O caso, que tramita sob sigilo, aponta para uma suposta conexão entre o parlamentar e o advogado em esquemas financeiros envolvendo empresas e apostas esportivas.

Flávio Bolsonaro em sessão no Senado

Contexto da medida

A ordem judicial foi emitida logo após o resultado das eleições presidenciais de 2026. Segundo informações apuradas, a decisão teria sido motivada, em parte, por declarações recentes de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que sugeriu em uma entrevista nos Estados Unidos que Flávio deveria deixar o Brasil caso fosse derrotado no pleito. A fala gerou preocupações entre parlamentares governistas sobre um possível risco de fuga.

Deputados de partidos da base aliada ao governo haviam protocolado representações junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao próprio STF, solicitando medidas preventivas para assegurar que o senador permanecesse no país para responder às investigações em curso. A pressão política cresceu nos últimos dias, culminando na ação da Polícia Federal.

Ministro Alexandre de Moraes no STF

Reação do parlamentar

Flávio Bolsonaro foi abordado por agentes da Polícia Federal na saída da residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, para ser formalmente intimado. Em manifestações públicas, o senador negou qualquer intenção de deixar o país e classificou a determinação judicial como uma medida excessiva. Ele confirmou que cumprirá a ordem de entrega dos documentos, mas indicou que sua defesa pretende contestar os fundamentos da decisão nos tribunais superiores.

A medida gerou reações divergentes no meio político. Enquanto aliados do governo defendem a necessidade de cautela para evitar a evasão de investigados, parlamentares da oposição criticaram a decisão, classificando-a como uma ação antidemocrática e desproporcional. O caso reforça o clima de tensão institucional que marca o cenário político brasileiro após o encerramento do ciclo eleitoral.

O inquérito que mira o senador é um dos três procedimentos em curso no STF envolvendo o parlamentar. A investigação sobre lavagem de dinheiro segue em sigilo, e a proibição de contato com o advogado Willer Tomaz é vista como um passo estratégico para evitar interferências na coleta de provas e no desenrolar das diligências policiais.